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“O meu 1º Instrumento”

 

A primeira vez que toquei num instrumento musical deve ter sido na bateria do meu pai. Qual é o miúdo que não sente uma forte atracção para bater violentamente naqueles timbalões?

Devía ter aí uns 3 ou 4 anos mas como podem calcular, foi apenas a graçola do momento! Só mais tarde com 8 anos é que os meus pais resolveram colocar-me numa escola para aprender piano... fiquei fascinado com o som majestoso cada vez que carregava no pedal de sustain! Aprendi umas bases mas não vivía obcecado com o instrumento de estudo. Entretanto os anos foram passando, deixei o piano de lado e comecei a ouvir muita música até aparecer uma banda com o qual me identifiquei de imediato: os Van Halen.

Fiquei de facto pasmado com o virtuosismo do guitarrista Eddie Van Halen e a sua postura ao vivo... sempre a sorrir... parecía tudo tão fácil! Nunca tinha visto nada assim, ainda para mais quando achava que tocar guitarra era aborrecido. Mal sabía eu que estava a dizer uma baboseira... hoje não consigo viver sem a guitarra! Mas continuando... no verão de 1990 e já com 17 anos de idade, resolvi que quería tocar guitarra de um dia para o outro!


Esta decisão deu-se naturalmente; estava a passear pelo centro comercial do terminal do Rossio e dou de caras com uma guitarra Vester, imitação da famosa guitarra “Frankenstein” do Eddie, pendurada na loja IOP... nem quis acreditar!!! Só vi que custava 33 contos e entrei para reservar a guitarra até sexta feira. Agora... o mais difícil... como arranjar o dinheiro?! Lá fui eu chatear literalmente a minha mãe para me emprestar o dinheiro e ela recusou! Achava que era um impulso parvo e que me iría passar... não imaginam o que sofri nessa semana... até chorei porque eu quería mesmo aquela guitarra! Bem, tanto que chateei que consegui convencê-la no último dia e fui a correr para Lisboa buscar a minha primeira guitarra. Entrei na loja e lá estava a menina dos meus olhos... eu delirava porque o sonho tornava-se realidade. O rapaz que me atendeu perguntou se a quería experimentar mas eu disse logo que não, porque não sabía tocar.

A minha vida mudou nesse dia! Hoje percebo que comprei uma guitarra só porque o meu ídolo tinha uma igual ou parecida. Como é que uma pessoa desconhecida pode ter tanta influência na nossa vida?

A verdade é que me interessei pelo instrumento desde o dia 1, motivado e com uma força de vontade que só eu sei, aprendi a tocar guitarra sózinho, e procurei sempre aprender mais em todas as áreas da música... absorver o máximo! Hoje continúo com a mesma paixão e a mesma sede para aprender. De facto, tornei-me um “luthier” simplesmente porque adoro o instrumento e queria construir um que satisfizesse as minhas necessidades, mas onde é que esse primeiro já vai... hehehe... já tenho mais de 14 guitarras e o número tende a crescer! A guitarra no seu conceito geral faz parte de mim, já adormeci com ela, chorei com ela, senti emoções incríveis... passei momentos fantásticos, passei a amá-la porque sinto-me completo com uma guitarra nas mãos!


José Carlos Matos






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